
Como o ritmo de novos empreendimentos acelera frente à alta demanda
Maringá atravessa um dos períodos mais aquecidos do mercado imobiliário da última década. No segundo semestre de 2025, os lançamentos residenciais vêm ganhando força em praticamente todas as regiões da cidade, impulsionados por uma demanda que não para de crescer.
Pesquisas recentes apontam que o interesse da população local em adquirir imóveis aumentou de forma consistente. Hoje, mais da metade dos maringaenses manifesta intenção de compra, com destaque para imóveis até R$ 500 mil, embora a procura por unidades de maior valor também esteja em expansão. Esse movimento se reflete no volume de lançamentos: enquanto em 2023 o número de novas unidades residenciais já chamava atenção, em 2024 o salto foi expressivo, ultrapassando 2,3 mil apartamentos entregues em 25 edifícios. Além disso, mais de 100 prédios permanecem em construção, totalizando mais de 10 mil unidades previstas para os próximos anos.
A pressão por novos empreendimentos é resultado de uma combinação de fatores. A cidade atrai moradores de toda a região, mantém índices de qualidade de vida entre os melhores do país e oferece oportunidades de trabalho que alimentam a chegada de novas famílias. Soma-se a isso a atuação de programas públicos, como o Casa Fácil Paraná, que já destinou centenas de milhões de reais para subsídios habitacionais, permitindo que famílias de menor renda consigam financiar a casa própria.
As regiões que concentram os lançamentos são diversas. A Zona 8 tem se consolidado como polo de expansão vertical, enquanto a Zona Sul registra alta valorização, puxada pela infraestrutura, acessos viários e oferta de serviços. Também se destacam áreas próximas ao centro e corredores de mobilidade, onde a escassez de terrenos pressiona os preços e impulsiona a construção de edifícios mais altos e de padrão variado.
Apesar do otimismo, o cenário também traz desafios. O preço dos terrenos segue em trajetória de alta, o que encarece o metro quadrado final das unidades. Além disso, a elevação da taxa Selic encarece os financiamentos, o que pode reduzir o ritmo de vendas, sobretudo para quem depende de crédito habitacional. A maior dificuldade, no entanto, está na viabilidade de imóveis populares, já que os custos de produção inviabilizam lançamentos na faixa de R$ 120 mil, ainda que exista forte demanda nessa categoria.
Para investidores, o momento é considerado favorável. O mercado mostra sinais claros de valorização no médio e longo prazo, principalmente em regiões de expansão urbana. Para os compradores, a expectativa é de que as condições de negociação em lançamentos possam representar oportunidades, ainda que o cenário de juros altos exija cautela.
As perspectivas para o fim de 2025 indicam que Maringá deve seguir como destaque no Paraná em volume de lançamentos. O crescimento tende a se concentrar em projetos de médio e alto padrão, mas há uma pressão social e econômica para que o poder público e a iniciativa privada encontrem alternativas que permitam ampliar também a oferta de moradias mais acessíveis.
